“Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz”(Jo 14,27)

Escrito em 18/11/2025
Leila Denise Juttel Hack

Diálogos Fraternos, passagem de João (14,27). Confira.

Em mais de meio século de vida, já acompanhei dias de muita polaridade, muita incerteza, muito conflito, muita dor e muito desespero… Situações provocadas por reações da natureza e pelo orgulho dos homens; situações de extremos sentimentos, que excluíam a possibilidade de vislumbrar um futuro possível entre pessoas, grupos, comunidades e/ou nações…

Tenho a sensação inglória de que muitos dias da última década têm reacendido esse sentimento em muitas mentes e muitos corações… Seja nas proximidades de nossas casas onde a violência se faz presente; seja nos drones e armas que detonam as expectativas de futuro daqueles que, dia-a-dia, visualizam e vivenciam uma guerra declarada e aberta que não faz sentido para a maioria das pessoas que dela são vítimas; seja pela presença armada que, oficialmente, tenta inibir ameaças que (nem sempre!) podem minar a ordem estabelecida – nossos olhos são obrigados a “digerir” nas telas o que nem nosso estômago (aquele mais resistente às coisas abjetas que possamos encontrar) conseguiria processar: nossa vida ser privada de esperança!

Hoje, percebo que nossos dois últimos pontífices despertaram basicamente dois sentimentos (cada um) em mim; o Papa Francisco, com toda a sua alegria na Boa-Nova do Evangelho, inspirava a vontade de falar sobre o Amor e a Misericórdia (ainda que ele falasse, persistentemente, se uma “guerra aos pedaços”); já o Papa Leão XIV, acredito que pela realidade que o confronta em seu pontificado, me desperta uma grande necessidade pela Paz e pela Esperança.

Este é o motivo que hoje vou usar duas citações – uma do Francisco de até poucos dias, outra do Leão que “ruge” contra a violência e a guerra – para falar sobre a importância da Paz.

Já o Papa Leão XIV, após a oração do Angelus, nos deixa uma mensagem bem mais concisa, porém não menos inquietante: Expresso o meu sincero apreço por quem, a todos os níveis, se está a empenhar na construção da paz nas diversas regiões marcadas pela guerra. Nos últimos dias, rezamos pelos defuntos e, entre eles, infelizmente, muitos foram mortos em combate e em bombardeamentos, apesar de serem civis: crianças, idosos e doentes. Se se quer realmente honrar a sua memória, que se instaure um cessar-fogo e se empreguem todos os esforços nas negociações.” (09/11/2025)

Inevitável nos perguntarmos: “No mundo que estou inserido(a), que tipo de ‘Paz’ eu promovo?”


Leila Denise